quinta-feira , 16 julho 2020
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EUA vão investigar suspeita de acidente em laboratório chinês com coronavírus

Maior banco de vírus da Ásia fica nos arredores de Wuhan, aos pés de uma colina (AFP)
Situado entre as colinas que rodeiam a cidade chinesa de Wuhan, onde surgiu o novo coronavírus, um laboratório de tecnologia chinês está no centro de uma polêmica mundial. Segundo cientistas chineses, o vírus pode ter passado dos animais para o homem em um mercado que vendia animais vivos em Wuhan. Mas a existência deste laboratório alimenta especulações de que foi ali que o vírus surgiu.

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, disse que está sendo realizada uma “investigação completa” sobre como o vírus “saiu para o mundo”. O instituto abriga o Centro de Cultivo de Vírus, maior banco de vírus da Ásia, onde são preservadas mais de 1,5 mil variedades.

Dentro do complexo, encontra-se o maior laboratório da Ásia de segurança máxima, capaz de manipular patógenos de classe 4 (P4), vírus perigosos transmitidos entre pessoas, como o ebola.

O laboratório P4, de 3.000 m², está localizado em um prédio quadrado com um anexo cilíndrico, aos pés de uma colina, nos arredores de Wuhan.

O jornal “The Washington Post” e o canal de TV Fox News citaram fontes anônimas que indicam que o vírus pode ter saído, acidentalmente, do complexo.

Segundo documentos diplomáticos aos quais o Post teve acesso, autoridades estavam preocupadas com a segurança inadequada dos pesquisadores ao manipularem vírus parecidos com o do Sars. Segundo a Fox News, o “paciente zero” da pandemia pode ter sido infectado por uma variedade de vírus de morcego que estava sendo estudada no laboratório e que foi transmitido para a população de Wuhan.

Ao ser questionado sobre esta hipótese, o presidente americano, Donald Trump, disse que, “cada vez mais, estamos ouvindo esta história”, e que seu país realiza uma “investigação profunda”. O instituto não quis comentar, ontem, esta teoria, mas, em fevereiro, divulgou um comunicado rechaçando os rumores.

Por que Wuhan?

O local explicou ter recebido em 30 de dezembro o novo coronavírus, até então desconhecido. Em 2 de janeiro, determinou o sequenciamento do genoma viral, e submeteu a informação sobre o patógeno à Organização Mundial da Saúde (OMS) em 11 de janeiro.

O porta-voz da chancelaria chinesa, Zhao Lijian, descartou, ontem, as suspeitas sobre o laboratório. “Uma pessoa entendida irá compreender que a intenção é criar confusão, desviar a atenção do público e se esquivar da responsabilidade”, criticou Zhao, que citou rumores de que o Exército americano poderia ter levado o vírus para a China.

Os cientistas acreditam que o vírus tenha surgido de um morcego e sido transmitido para o homem através de uma espécie intermediária, possivelmente o pangolim.

Mas um estudo de um grupo de cientistas chineses publicado em janeiro na revista “The Lancet” revela que o primeiro paciente com Covid-19 não tinha nenhuma ligação com o mercado de animais de Wuhan, tampouco 13 dos primeiros 41 pacientes.

Incógnita

Shi Zhengli, um dos principais especialistas chineses em coronavírus de morcego e vice-diretor do laboratório P4, fez parte da equipe que publicou o primeiro estudo sugerindo que o Sars-CoV-2 (nome oficial do vírus) vinha dos morcegos. À revista “Scientific American”, ele afirmou que o genoma do Sars-CoV-2 não coincide com nenhum dos coronavírus de morcego que seu laboratório já estudou.

Segundo Filippa Lentzos, pesquisadora de biossegurança na King’s College de Londres, embora não haja provas sobre a teoria do acidente no laboratório, tampouco há “provas reais” de que o vírus tenha vindo do mercado. “Para mim, a origem da pandemia ainda é uma pergunta sem resposta”, assinalou.

Mortes

Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou, nessa sexta, que muitos países terão que revisar o número de mortos por coronavírus, como fez a China. O governo de Pequim anunciou, ontem, mais 1.290 mortos em Wuhan, onde teve início a pandemia, em dezembro. A revisão se deveu a doentes que morreram em casa, informaram as autoridades. O número total de vítimas é agora de 4.632.

Nessa sexta, o presidente Donald Trump acusou o país asiático de subestimar o balanço das vítimas na China. “É algo difícil de perceber durante uma crise, identificar todos os casos e identificar todos os mortos”, disse Maria Van Kerkhove, autoridade responsável pela gestão da pandemia na OMS, em uma coletiva de imprensa virtual.

Fonte: Diário do Nordeste

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