Deyverson, herói do Palmeiras contra Corinthians, vendia salgados na rua e tentou ser pagodeiro

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Autor do gol da vitória por 1 a 0 do Palmeiras sobre o Corinthians, no último domingo, pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro, o atacante Deyverson é conhecido por sua personalidade, digamos, peculiar…

Frequentemente elogiado pelos companheiros pelo temperamento divertido e um tanto “maluco”, o camisa 16 gostava de alegrar os amigos desde cedo. Tanto é que, antes de virar jogador, tentou o sucesso com um grupo de pagode.

“Eu comecei jogando bola por meio do meu pai, que sempre dedicou tudo para mim. Ele ajudava e deixava de fazer muitas coisas para eu poder treinar e ter essas oportunidade de jogar futebol. Eu ia parar de jogar bola uma vez, queria virar pagodeiro, e ele quase teve um infarto. Eu tinha uns 18 anos e a carreira não tinha decolado, estava treinando no Grêmio Mangaratibense como amador. Ia desistir. Me falaram para fazer faculdade, mas quase matei o velho do coração (risos)”, contou o centroavante, em uma entrevista à ESPNem 2016.

“Eu animo a galera no pagode até hoje. Cheguei a ter dois grupos, chamados ‘Juventude do Samba’ e ‘Banda Boa Influência’. A gente tocava nas festinhas do bairro. Um grande amigo meu, o Douglas, toca no ‘Raiz da Flor’, um grupo famoso de pagode. Jogamos juntos no Grêmio Mangaratibense”, relembrou.

E não era só no pagode que Deyverson poderia estar hoje levando a vida. Quando tinha 18 anos, o jogador ganhava a vida de outra forma: vendendo salgados.

“Aí eu parei de treinar para fazer salgados e trabalhei com meu irmão para isso. Tenho muitos amigos que tocam pagode, e então meu pai me disse que não ia me ajudar mais. Foi quando eu voltei para o Grêmio Mangaratibense, e as coisas aconteceram. Fiquei lá um ano, com 19, e o Benfica me quis para um teste”, relatou.

“E aí eu comecei tudo de novo…”, complementou.

A CARREIRA DE DEYVERSON

Ao sair do Grêmio Mangaratibense em 2012, Deyverson deu início a uma trajetória de cinco anos na Europa, mas por clubes e países diferentes, sem conseguir se firmar.

Jogou a temporada 2012/13 pelo Benfica B, na 2ª divisão de Portugal. Foram 29 jogos e oito gols, números positivos para um estreante. Foi vendido ao Belenenses na sequência, onde disputou duas temporadas consecutivos e fez, no total, 33 jogos e 12 gols.

A passagem pelo Belenenses chamou a atenção do Colônia, que pegou o atacante emprestado por seis meses para jogar no futebol alemão. A passagem foi apagada: nove jogos e dois gols. Voltou para a Portugal sem saber o que seria do futuro.

Foi quando surgiu a Espanha na vida de Deyverson.

Primeiro com o Levante, que investiu 1,8 milhão de euros (R$ 8,55 milhões, na cotação atual), para fechar com o brasileiro em um contrato de quatro anos. Depois, o Alavésacabou aproveitando a queda do Levante para acertar o empréstimo do grandalhão.

Em terras ibéricas, o jogador de 1,87m deixou ótima impressão. Não foram tantos gols, mas os tentos do ex-pagodeiro costumavam sair sempre em jogos grandes, como os contra Real Madrid e Barcelona.

A maior prova de sua boa fama na Espanha ocorreu antes da final da Copa do Rei 2016/17, entre Barça e Alavés. Na coletiva prévia à partida, o então técnico do clube catalão, Luis Enrique, rasgou elogios ao matador.

“Deyverson é um dos atacantes complicados do futebol espanhol por seu nível técnico e também pelo físico. É muito bom no jogo aéreo, um lutador nato, continua as jogadas que cria para seu time na segunda bola. Chega muito bem na conclusão, é muito rápido na transição. É um jogador completo, que sempre será complicado de enfrentar”, disse, na ocasião.

Pouco depois dessa final, Deyverson foi contratado pelo Palmeiras, seu clube atual, a pedido do então técnico Cuca. A transferência foi fechada por 5 milhões de euros (R$ 23,76 milhões, na cotação atual), em um contrato de cinco anos.

No Palestra Itália, o centroavante demorou para se firmar. Não deu certo logo na chegada e depois passou a ser pouquíssimo utilizado nas gestões de Alberto Valentim e Roger Machado. Por pouco não foi emprestado.

Após a chegada de Luiz Felipe Scolari, porém, tudo mudou. O gaúcho mostrou confiança no grandalhão desde sua chegada e vem sendo recompensado com gols e grandes atuações daquele que hoje é uma das principais armas do time.

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