Suspeita de jogar filha do 6° andar diz que bebê ´caiu´ morta dentro de privada

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Ana Carolina Moraes da Silva, de 29 anos, foi presa em Santos, SP (Foto: Arquivo pessoal)

A mãe da menina recém-nascida achada morta dentro de um contêiner de lixo, em Santos, no litoral paulista, afirma que o bebê caiu de seu corpo, já morto, no banheiro do apartamento em que morava, no bairro Gonzaga. Ela segue presa pelo crime de homicídio qualificado e ocultação de cadáver na Cadeia Feminina de São Vicente, cidade vizinha.

Ao G1, a defesa de Ana Carolina Moraes da Silva, de 29 anos, feita pela advogada Letícia Giribelo, informou que os próximos passos das investigações só poderão ser tomados a partir da emissão do laudo necroscópico conclusivo, emitido pelo Instituto Médico Legal (IML) em 30 dias.

“Sigo conversando com a família, pois só aí vou saber se continuo no caso”, explica ela, que também afirmou que Ana Carolina passará por exame psicológico. “O laudo também será determinante para alteração ou não da condenação e pena”, diz.

Em conversa com Ana Carolina, segundo a advogada, a versão do ocorrido foi semelhante à informada para a Polícia Civil. “Ela disse que foi ao banheiro, de manhã, e que a bebê caiu no vaso sanitário, já morta. A partir daí, ela entrou em desespero, pois a outra filha acordou e ela não queria que ela percebesse o corpo”, conta.

Desse ponto em diante, a mãe confirma que, em um ato de desespero, se livrou do corpo da criança o jogando pelo fosso de lixo do prédio em que morava, versão dada à polícia na quinta-feira (28), dia em que foi localizada e presa, em Praia Grande, no litoral paulista. Ela, porém, nega ter perfurado ou asfixiado a criança.

Ainda segundo a advogada, há a possibilidade de Ana Carolina encontrar-se em estado puerperal, que faz com que a mãe, no ato do parto, tenha alterações psíquicas e físicas , deixando-a sem condições de entender o que está fazendo, situação de semi-imputabilidade.

“Foi requerido o incidente processual de insanidade mental, ou seja, o pedido para que ela passe por uma avaliação de um psiquiatra, que é um perito judicial, para constatar se ela está sob influência deste estado. Somente o laudo médico poderá comprovar”.

Retaliações

Nas redes sociais, as páginas da mãe e do pai da criança, que não mantinham um relacionamento, mas ainda moravam sob o mesmo teto, foram tomadas por mensagens de repúdio ao que aconteceu.

Nos dois perfis, comentários com palavras como “assassinos” e “monstros” foram citadas diversas vezes. “Isso foi muita crueldade, só um monstro é capaz de tanta maldade com um ser tão indefeso”, cita uma internauta. “Que ela pague pro resto da vida. Muitas mulheres querendo ser mães e uma dessa aí… Tem o dom de ser mãe e faz essa atrocidade”, diz outro.

Sonho premonitório

Uma tia da jovem, que mora em Ribeirão Preto e prefere não se identificar, relatou ao G1 que sonhou com a gestação da sobrinha uma semana antes do crime, e que conversou com Ana Carolina em seguida, mas que ela não comentou que estava grávida. “Eu disse que tinha visto ela com um bebê no colo. A gente conversou, rimos e ela não me falou nada que estava grávida. Parece que estou vivendo um pesadelo e que não consigo mais acordar desse pesadelo”.

Segundo a tia, Ana Carolina passou a ser acompanhada por psicólogos após a morte do pai, ainda na infância. Ela se mudou com a mãe para o Acre, mas retornou a Ribeirão Preto tempos depois, a pedido da própria mãe, que alegou falta de condições para cuidar da filha.

“Cuidamos dela com todo carinho durante todo o tempo que ela esteve aqui. [Por causa da infância] Ela passava por tratamento psicológico, porque nós tínhamos medo que futuramente surgisse alguma coisa. Nós queríamos que tivesse acompanhamento psicológico, para não ter problemas”.

O crime

A recém-nascida foi envolvida em dois sacos plásticos, além de jornais, lenços umedecidos e, também, uma fronha, cujo par foi encontrada dentro do apartamento do casal, e jogada do sexto andar pelo fosso de lixo do prédio de classe média em que o casal morava, na Rua Bahia, no bairro Gonzaga.

A queda, segundo o IML, foi a causa da morte, já que foi constatado traumatismo craniano na criança. Além disso, a análise preliminar afirma que o bebê sofreu asfixia mecânica antes de ser arremessado.

De acordo com o delegado Renato Mazagão Júnior, responsável pelo caso, no apartamento, foi localizada uma lixa metálica e pontiaguda, o que reforça a hipótese de ela ter sido usada para a asfixia, já que a criança tinha ferimentos de perfuração no pescoço. Ela também estava com um elástico de cabelo na região.

O corpo foi achado pelo catador de latinhas Valdemir Oliveira, que vasculhava o lixo no momento em que notou a cabeça do bebê em meio aos sacos. “Eu sempre faço esse trabalho. Dessa vez, enquanto estava mexendo no local, dei de cara com o bebê. Na hora procurei ajuda e decidi chamar a polícia”, conta.

Investigações

Um cupom fiscal da compra de um pacote de fraldas descartáveis, achado em meio ao corpo do bebê, foi o pontapé inicial para a localização do pai da criança. Abordado nas redondezas do prédio em que morava, foi ele quem indicou que Ana Carolina e a filha, de três anos, estavam em Praia Grande.

Equipes da Polícia Civil localizaram a mãe em um apartamento da família, no bairro Aviação. O casal foi encaminhado ao 1º Distrito Policial de Santos. Ainda segundo o delegado, Ana Carolina trocou mensagens de texto no WhatsApp com o pai do bebê antes do crime, demonstrando insatisfação com a filha e dito não querer ´mais uma boca para comer´.

“Havia uma conversa na qual ela dizia que eles ‘não tinham condições de criar mais uma boca’. Ele chegou a sugerir que ela fosse embora para Ribeirão Preto. Depois, diz ´você matou minha filha´, seguido de ´se livra disso´”, afirmou Mazagão.

O casal foi preso no mesmo dia, mas o pai, porém, foi solto na manhã de sexta-feira (29), em decisão que foi acompanhada pelo Ministério Público. Ele foi indiciado por favorecimento pessoal. Já a mãe segue presa até que as novas fases do caso sejam definidas.

Fonte: G1

 

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